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A elevada exigência psicofísica imposta pela actual prática desportiva em alguns desportos de alta competição, é desde alguns anos uma preocupação que se encontra instalada quer entre os profissionais das Ciências do Desporto quer na Medicina.
Isto deve-se ao facto do organismo nem sempre ser capaz de suportar os níveis de stress que se manifestam, em consequência dos treinos e das competições.
Assim, nos desportistas, aos músculos, articulações, sistema cardiociculatório, neuroendócrino, etc., é exigido um esforço muito maior do que aos indivíduos não desportistas. Vale a pena referir ainda que esse nível de stress afecta em grande medida o sistema imunológico.
Se bem que o treino gera adaptações muito importantes para tolerar as ditas exigências, algumas questões advertem-nos que a adequada planificação não se limita a uma correcta organização dos esforços para a melhoria do rendimento.
E isto é assim, devido ao facto de se pretender aumentar a performance, o que depende de múltiplos factores, alguns determinantes na conquista ou não, dos objectivos propostos.
Melhorar o rendimento implica, em especial, tolerar as cargas de esforço, e sua rápida recuperação, render satisfatoriamente tanto tecnicamente como táctica e fisicamente apesar da fadiga que acontecerá necessariamente e ainda, incrementar a qualidade dos treinos como uma necessidade fundamental para obter melhor rendimento nas competições.
Sem dúvida alguma, um dos aspectos mais descurados no mundo do treino desportivo tem sido o da nutrição e da suplementação. O que pode bem ter sido uma questão secundária noutros tempos.
Mas na actualidade e como consequência de muitos desportos se terem profissionalizado, os seus desportistas não só os praticam por prazer como em muitos casos é o seu emprego, do qual vivem e com o qual sustentam as suas famílias. Poderíamos dizer que hoje em várias disciplinas "o jogador não joga, trabalha como jogador".
Relativamente a estes défices, uma inesgotável quantidade de informação proveniente da área das Ciências da Actividade Física e da Medicina adverte sobre as carências que existem ao nível orgânico de certos nutrientes naqueles indivíduos que habitualmente estão submetidos a altos níveis de exigência fisiológica.
E o problema é ainda mais alarmante quando os cientistas asseguram que a alimentação, ingerida diariamente pelos desportistas, é absolutamente insuficiente, em muitos casos, para repor os substratos perdidos como consequência da exigência física. Isto é, a alimentação do desportista não é uma questão menor.
Com ela, não se repõem os hidratos de carbono, lípidos, proteínas e líquidos. A mesma reclama que estes se incorporem em determinado momento, combinados de uma forma especial, e também, livres de outros compostos que podem inclusivamente prejudicar a absorção do que pretendemos repor.
Além de que certas substâncias que o organismo necessita numa determinada quantidade, incorpora-las nas devidas concentrações implicaria não só ingerir o alimento que a contém, como em quantidades tão elevadas do mesmo, o que tornaria impossível atingir o objectivo.
Convém também referir, que está bem definido que para que determinados processos aconteçam em tempo e forma, os nutrientes deverão ser incorporados nos momentos adequados, alguns inclusivamente, durante e imediatamente a seguir ao esforço. É assim quase óbvio destacar a impossibilidade disto se concretizar utilizando a ingestão de alimentos.
Na maioria dos casos tornar-se-ia difícil, quer pelo problema que geraria desenvolver esforços em pleno processo digestivo, quer pela impossibilidade da sua ingestão pela ausência de desejo que acontece imediatamente após o esforço físico intenso. E é aqui onde está o maior problema, devido aos inúmeros casos e tipos de nutrientes a repor.
Estes devem ser incorporados mesmo antes do esforço e outros até não mais de 45 minutos após a finalização do mesmo.
Dois aspectos, que a meu ver, ajudaram a gerar uma grande confusão sobre esta problemática. Um o facto de não serem muitos os profissionais que se dedicam profundamente à abordagem da Nutrição e Suplementação desportiva, o que criou espaço para que alguns se constituíssem em verdadeiros geradores de opinião, mas carentes do conhecimento científico indispensável que a área exige.
O outro problema a ressaltar é que sempre que se associou a suplementação desportiva a dois grupos de substâncias, as que se vinculam com efeitos dopantes e bem podem ser de alto risco para a saúde, e as que se massificaram porque produzem uma imensa riqueza a quem as elabora mas carecem do total apoio das investigações no campo da Nutrição e da Suplementação.
Estes últimos produtos, lamentavelmente são os que levaram vários profissionais da área da saúde a colocar todas elas debaixo da mesma óptica e diagnóstico, conduzindo a uma tendenciosa má opinião de tudo aquilo que se rotulou de suplemento desportivo.
É aqui oportuno tornar claro o conceito de "suplemento" porque talvez o princípio da consciencialização da importância de fornecer suplementos aos desportistas tenha como base a definição da denominação. Classifica-se como suplemento a substância necessária a incorporar ao organismo quando as necessidades dessa substância superam as fornecidas pela alimentação normal.
E estas necessidades estão potenciadas porque as exigências do esforço físico sobre vários destes suplementos são em muito superiores ao que podemos incorporar através da alimentação tradicional. E tudo isto agravado, como expliquei, se considerarmos que devem ser incorporados no nosso organismo não durante a refeição mas no momento óptimo, algo que pode ser muito distante dos horários das refeições.
Poderíamos acrescentar aqui, que mesmo coincidindo os momentos da ingestão pós-treino com o da refeição, seria uma decisão muito desafortunada incorporar os nutrientes nesse momento através da alimentação tradicional devido a que se estabeleceria uma competição entre o sangue que o organismo reclama para fazer a digestão e o que os músculos necessitam para recuperar do pós-esforço.
É também necessário compreender que os processos de recuperação logo após as altas exigências não começam com a finalização do esforço. Os denominados processos catabólicos, que se referem àqueles fenómenos orgânicos que geram perdas ou destruição de diferentes substâncias e tecidos e que começam no momento preciso do aumento da exigência física, podem ser limitados graças à adequada ingestão de certos suplementos combinados.
Estes não só podem reverter as reacções no sentido da reparação e construção dos danos ou percas (anabolismo), como também garantem uma maior rapidez na diminuição do stress de esforço com a imediata restituição dos substratos perdidos durante o exercício.
A Suplementação Desportiva, em resumo, é uma parte fundamental da planificação físico-técnica e nutricional do desportista, que actua como coadjuvante da alimentação convencional naqueles momentos nos quais não existe capacidade, oportunidade nem conveniência fisiológica para recorrer aos nutrientes presentes nos alimentos, de forma a satisfazer as necessidades que o organismo tem em dado momento.
Mas independentemente de ser ou não profissional, de que pretenda ser o melhor atleta do desporto que pratica ou simplesmente tenha como objectivo o prazer gerado pela prática desportiva, a realidade indica que hoje as exigências são maiores e, além disso, a ciência tem evoluído muito advertindo para certos défices que o nosso organismo tem quando é submetido a um stress como o imposto no modelo desportivo e social dos nossos tempos.
Dr. Jorge Roig,
Catedrático de Fisiologia do Exercício
pela Universidade Nacional de La Plata, Argentina,
e especialista em Nutrição e Suplementação Desportiva
Fonte: http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2137/?textpage=1
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